Palestra ELLE e WGSN: O universo feminino e a moda

Fiquei de falar sobre o SPFW mas na verdade eu não tenho muito o que falar sobre lá: cheguei bem cedo, o desfile que eu supostamente assistiria era o último (21h30), não tinha nada pra fazer no meio tempo além de ficar na fila do stand da melissa pra tentar ganhar uma sandália (achei que o evento em si está fraquíssimo) … enfim!

O ponto alto do dia, foi logo que cheguei no Ibirapuera. A moça que ia me dar os convites ainda não tinha chegado, e eu ainda não sabia onde era a Bienal, então fui andando até chegar em uma construção, que depois que olhei na placa vi que era o Museu de Arte Moderna (MAM). 

Eu e meu namorados paramos em frente, sem então entender o que tava rolando, meio perdidos.. Eis que uma moça simpática pergunta se estamos ali para a palestra. Eu disse que não, e ela disse que se quiséssemos ir, então estaríamos convidados. Hmmm. Agradeci mas não dei muita bola. Mas aí caiu a ficha de que ficaríamos no mínimo 1 hora esperando a tal mulher dos convites, sem nada pra fazer, então porque não?

Já que eu caí de pára-quedas ali, enquanto todas as blogueiras e jornalistas que estavam ali presente portavam seus bloquinhos de anotações, só prestei atenção mas não planejava fazer nenhum post detalhado sobre, já que minha memória não é das melhores..
Mas aí navegando pela minha listinha de blogs, entro no Chata de Galocha e descubro que a Lu também estava lá e fez um mini post sobre, e me inspirou a fazer um também com o pouco que resta na minha memória!

Foto tímida que eu mesma tirei, não querendo ligar o flash e causar olhares indesejados, já que eu já era penetra.


Lá na palestra foi discutido o mash up de conceitos e padrões que estamos vivendo nos dias de hoje. Vários movimentos foram abordados.

Transetária:

O old school, retrô, que já conhecemos e adoramos tanto vai além da vestimenta, o vintage pode ser percebido no comportamento. Hoje em dia, as mulheres mais velhas são ícones de beleza e referência. 

“Antigamente envelhecer era sinônimo de perder tudo de positivo. Hoje em dia as mulheres maduras são vistas como exemplos de status, de mulher bem sucedida e até de beleza” 

Um bom exemplo que foi usado foi os cabelos brancos. O que antes era um pavor para quem tinha, hoje em dia é questão de estética. Kelly Osbourne e Lady Gaga já usaram os cabelos nessa cor, ambas aos 24 anos.

“Isso gera uma mudança de comportamento e de consumo. Hoje em dia as mulheres jovens desejam peças do guarda-roupa da vó, compram roupa em brechó e a estética retrô hoje é usada pelas pessoas mais modernas” diz Andrea Bisker.

Super me identifiquei e adorei essa parte. As pessoas que eu considero mais estilosas hoje em dia usam e abusam do vintage de verdade, seja em jóias, roupas, bolsas… Eu mesma me pego desejando um acessório ou outro de vó que vejo por aí! Amo!

Hotel em Londres no estilo Granny Chic (Vovó Chic), que é uma tendência no turismo.

Ari Setch Cohen, à dir. é o criador do blog Advanced Style que retrata exatamente o assunto em questão. É um face hunter de NY que sai em busca das senhoras mais estilosas e elegantes da cidade. Vale a pena conferir o blog. Demais!

Genderless:

Na incessante busca pela igualdade dos sexos, os homens e as mulheres tendem a se difundir cada vez mais, ficando cada vez mais difícil definir que roupas, empregos, carreiras, enfim, coisas, sejam definidas em femininas ou masculinas.

Nesta última SPFW, Mário Queiroz levou esse conceito às passarelas, adaptando para as mulheres, a moda que faz para os homens.

Calça Boyfriend para elas, e Ex Girlfriend, para eles.

Andrej Pejic (dir.) é um modelo que estrela para campanhas tanto femininas quanto masculinas, devido seu estilo andrógino.

Um pedaço desse vídeo foi mostrado na palestra, exemplificando o genderless… Muito gostoso de assistir!

Sexto Sentido:

Em contraponto com o que foi apresentado na palestra, esse movimento diz que as mulheres estão resgatando um pouquinho do que perderam nos tempos de luta pela igualdade, como o sexto sentido, nossa poderosa intuição, rotina doméstica, etc.
Eu particularmente achei isso uma bobagem, afinal, desde quando isso foi perdido? Claro que queimamos sutiãs e  etc mas isso não quer dizer que perdemos nossa identidade. Próximo.

Paradoxo In(sustentável)

Como não poderia deixar de ser citada, a questão da sustentabilidade. Mulheres que estão confusas em relação ao que é ou não coerente ao tentarem inserir o consumo consciente no dia a dia. Não só para as mulheres, mas para qualquer um que tenta abraçar a causa, surgem conflitos e perguntas sem respostas sobre o assunto.

“No banheiro público: eu uso o secador de mão ou a toalhinha de papel? O que é pior (para o meio-ambiente)?” se questiona Flávia Lhacer, em um dos vídeos apresentados na palestra.

Um dos muitos questionamentos que surgem sobre o assunto.

Fora isso, tem o fato de que como em qualquer assunto polêmico e que fuja do entendimento de nós, leigos, sempre aparece o outro lado. No caso da sustentabilidade, os cientistas mais céticos sobre o problema dão conta de confundir mais ainda as cabeças já confusas das mulheres. Sustentabilidade: prioridade ou não? Verdade ou mentira?

O ambientalista cético: revelando a real situação do mundo

Bom, sobre esse assunto, eu sou radical e parto do conceito que não há mais vida sustentável na terra habitada pelos seres humanos. Mais cedo ou mais tarde, a maneira de vida como nós a conhecemos se esgotará e o planeta se renovará como sempre fez, extinguindo-se somente a nossa espécie e mais algumas que levaremos conosco. O planeta não, esse não precisa ser salvo: ele sempre fez isso sozinho.

Bom, coloquei aqui os principais movimentos abordados na palestra, e pra finalizar, algumas das tendências para o inverno 2012 (esse povo e essa mania de viver pensando no futuro mais distante…) apontadas por lá:

Blusa de laço

That 70’s clothes? Sim. Esses dois itens acima são são meus queridinhos faz tempo, e de vocês? Podem se jogar nas compras pois de acordo com o WGSN é tendência futura também.

Vestido “deslocamento” (?)

Esse veio diretamente dos anos 60, mas é tãaaao atemporal que passa batido como look total contemporâneo fácil, fácil.

As calças “cortadas”, curtas

Disseram por lá que era ótimo pra dar ponto de cor pro look, e não é que é mesmo?

O blazer “smoking”

O nome mesmo já diz. Blazer tipo “smoking” – seguindo o movimento genderless.

A saia lápis

Clássico dos anos 50, totalmente atemporal, nunca sai de moda e fala por si só: sempre elegante e sexy.

Ps: Como não anotei nada, pra escrever esse post eu achei o santo do site do projeto piloto mostrado na palestra que me refrescou a memória, por isso foi possível o post gigante. haha

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A democracia da moda

Outro dia li por aí em um blog da vida, algo um tanto quanto equivocado: combinar bolsa com sapato, o que antigamente era considerado regra fashion, hoje é cometer um erro grave. 

Isso me deixou pensando como hoje em dia a moda é democrática.
Em tempos de liberdade de expressão, ela não poderia ser diferente. Há uns tempos atrás a moda era uma ditadura, e combinar bolsa com sapato era representação de classe social. Ditada pela high couture, a moda excluía os menos nobres e aqueles que não seguissem os padrões exatos da época. Hoje em dia não é mais assim, e equivocado está quem ainda usa a expressão “ditadura da moda”.

Estilo New Look de Christian Dior nos anos 50

Antigamente, vestia-se de uma maneira padronizada. Com um bom estilista, um bom título de nobreza ou conta bancária, você tinha 90% das chances de acertar. Hoje em dia as possibilidades são muito mais amplas, e ter dinheiro não é mais sinônimo de classe. Ter identidade é mais importante.

Grace Kelly com sua Hèrmes

Hoje em dia a moda é representação de estilo pessoal e cultural. Vai além das vitrines luxuosas, além de qualquer revista ou passarela. Está na identidade de cada um. O que também facilita muito mais o erro.

Os red carpets de hoje em dia não me deixam mentir. É cada absurdo que se vê por aí, que fico me perguntando como essas pessoas que ganham tanto dinheiro e não se preocupam com o básico: investir em um bom stylist e cuidar da sua imagem.
Com um pouco de bom gosto (e dinheiro também, claro), só é preciso traduzir sua ID para a roupa, sem medo de errar. Claro que ela não vai agradar à todos, mas só o fato de você estar segura e se sentindo maravilhosa haha, você vai estar.

Ke$ha como sempre arrasando. Não tinha verba pro look, rasgou o pretinho básico e colou tiras de saco de lixo, amyga?
E a Avril? Comprou o dress no Bom Retiro?

Hoje em dia o vintage é chic, o básico é chic, a mistura é chic, três mil tipos estampas são chics, três mil tipos de cortes são chics, o caro é chic, o barato é chic, o geek é chic (haha). Só basta somar tudo isso à um pouco de bom senso, que apesar de chic, está em extinção hoje em dia!

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